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''Bilhete único é a solução para o passeio de barco''.

O relato foi feito pelo empresário Elói, Arraial Tur com mais de 30 anos no mercado náutico de Arraial do Cabo, entenda.




Como começou a sua história na cidade?

ELÓI: ’Vim pro Arraial do Cabo a mais de 30 anos para trabalhar em uma padaria industrial e por mal planejamento em menos de um ano tive que fechar. Nesse tempo eu tinha uma embarcação para uso pessoal para passear com a minha família, quase cheguei a vender, pois estava no ponto de ir embora. Foi então que o ‘Gaúcho' me induziu a trabalhar com o turismo, disse que conseguiria uns clientes e me ajudaria, fiz o primeiro passeio em Dezembro de 1990 com apenas 3 clientes.

Nessa época tínhamos o Joãozinho do SuperFlor e Márcio do barco Poeta que faziam turismo com uma abordagem de rua sem tanta brutalidade como tem hoje,ficávamos com uma chavinha na mão, esperando o próprio turista chegar para negociar



Qual o problema do turismo na nossa cidade?

O problema é a estrutura municipal, o ordenamento não cresceu na mesma proporção, as pessoas vem em ''estouro de boiada'' e a cidade não tem controle, Hoje o arraial se transformou em um turismo de day use, o que tem de melhor no estado do Rio esta sendo vendido a preço de banana, a oferta é maior que a procura e tem mais barco na praia do que turista procurando

Em 2010 tinha 181 barcos cadastrados, naquela época o MP Federal fez uma recomendação que não emitisse mais nenhuma autorização até que houvesse um estudo de capacidade de carga, há uns 7 anos atrás veio a Viviane como gestora do ICMBIO e ela explodiu a reserva, criando um novo sistema e ampliando o numero de autorização. Fomos de 181 para 244,

A reserva extrativista foi criado para manter o pescador dignamente, se o sistema muda e recomenda o pescador a fazer turismo, o que vai ser da reserva? Dessa forma as pessoas migraram para os passeios e abandonaram a pesca.


O que fez a sua empresa crescer?

ELÓI:Naquela época, todas as pousadas da cidade já tinham as suas indicações,então comecei a trabalhar em Cabo Frio com o Hotel Malibu, Caribe, Balneário, Acapulco e muitos outros, de lá pra cá eu sai de um barco de 10 passageiros com motor partida manual e cheguei até 3 escunas de 120 passageiros cada uma. A minha empresa completa 31 anos nesse ano. As pessoas olham e acham que estou rico, mas a verdade é uma situação muito desfavorável.

Não vi meus filhos crescerem, acordava e dormia no cais, tinha barcos menores em que as vezes 23:00 da noite estava num mergulho noturno com vento e frio, literalmente dei o meu sangue.


Em que época o turismo da cidade mais funcionou?

ELÓI: Hoje eu reconheço que o ex-prefeito Andinho alavancou o Arraial para o turismo, a secretaria de turismo tinha uma verba muito pequena e mesmo assim o secretario Marco Simas sempre estava presente, Chile, Argentina, queriam ir até para Portugal, mas não chegaram a ir.


Como resolver esses problemas?

ELÓI: Vendas online, desenvolvendo o mercado digital num potencial para isso,ou o comerciante entra no jogo do preço baixo a preço de banana, hoje esta feio de se ver, no último verão principalmente, quando cheguei eu fiquei impressionado, deixei de desembarcar na praia porque não víamos a areia, a visão parecia uma favela no meio do mar

Muitas pessoas eram contra o bilhete único, porque acreditavam que privatizando iriam direcionar para uma única pessoa, mas se engana, pois no projeto da prefeitura o investimento inicial era de 3 milhões , no qual a FIPAC ( Fundação Instituto de Pesca de Arraial do Cabo) ficaria responsável apenas pela pesca e uma outra empresa iria fiscalizar a venda do passeio junto com o MP.


O que você espera do futuro do turismo na cidade? Eu tive uma conversa com o atual prefeito Marcelo Magno e naquele momento fiquei entusiasmado com os planos dele para a prefeitura, dando um prazo que começaria a mostrar resultados em Março, mas já estamos em Junho e infelizmente não estou vendo resultados.

E eu realmente acreditei que fosse fazer a mudança, tanto que hoje quem representa os pescadores se favorecem com o caos da cidade

Hoje o mercado náutico esta nas mãos do vendedor de rua.


Folha Cabista

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